Quando falamos em segurança no trabalho em altura, é comum lembrar primeiro das NRs – especialmente a NR-35. Mas existe uma norma técnica que sustenta, de forma silenciosa, grande parte da confiabilidade dos sistemas de proteção contra quedas: a ABNT NBR 16.325.
Essa norma trata especificamente dos dispositivos e sistemas de ancoragem; ou seja, dos elementos estruturais que sustentam linhas de vida, pontos de ancoragem e demais soluções destinadas a reter quedas em altura.
Em termos práticos, ela estabelece critérios técnicos para que esses sistemas sejam projetados, instalados e utilizados com segurança real – não apenas aparente. Ao longo deste guia, você vai entender exatamente o que a NBR 16.325 regula na prática, como ela se relaciona com outras normas e por que ela é indispensável para qualquer projeto sério em altura.
Não perca: A partir de quantos metros é considerado trabalho em altura?
O que diz a NBR 16.325
Se você trabalha com linhas de vida, ancoragens ou projetos em altura, a NBR 16.325 é, na prática, a espinha dorsal técnica do sistema. Isso porque ela não se limita ao equipamento isolado: ela trata do conjunto completo que compõe o sistema de ancoragem, desde a resistência estrutural até a manutenção periódica.

Vamos destrinchar os principais pontos que a norma regula – e por que cada um deles faz diferença na segurança do trabalhador.
1. Requisitos de desempenho dos dispositivos de ancoragem
A norma define que os dispositivos de ancoragem devem ser capazes de suportar cargas elevadas geradas durante uma queda. E aqui está um ponto crucial: essas cargas são dinâmicas, ou seja, variam conforme a distância de queda, o peso do trabalhador e o comportamento do sistema.
Na prática, isso significa que não basta um ponto “aparentemente forte”. Ele precisa ser ensaiado, dimensionado e compatível com o sistema de proteção contra quedas.
Isso evita situações comuns em obras, como:
- Fixar ancoragens em estruturas sem verificação estrutural;
- Utilizar componentes sem ensaios de resistência;
- Instalar sistemas sem considerar o impacto real de uma queda.
2. Projeto técnico do sistema de ancoragem
Outro ponto central da NBR 16.325 é a exigência de projeto técnico específico para o sistema de ancoragem. E isso muda completamente a lógica de instalação.
Não se trata apenas de escolher um cabo ou trilho. O projeto deve considerar:
- Tipo de atividade executada;
- Número de usuários simultâneos;
- Distâncias de deslocamento;
- Zona livre de queda;
- Possibilidade de efeito pêndulo;
- Características estruturais do local.
Ou seja, a norma reconhece que cada cenário de trabalho em altura é único – e, portanto, exige soluções personalizadas.

3. Instalação conforme critérios técnicos definidos
A NBR 16.325 também estabelece diretrizes claras para a instalação dos sistemas de ancoragem. Isso inclui:
- Métodos adequados de fixação;
- Compatibilidade entre componentes;
- Posicionamento correto das ancoragens;
- Uso de absorvedores de energia quando necessário;
- Respeito ao projeto previamente dimensionado.
Esse ponto é fundamental porque muitos acidentes não acontecem por falha do equipamento, mas por instalações inadequadas que alteram o comportamento do sistema em uma queda real.
4. Inspeção, uso e manutenção periódica
A norma não trata a linha de vida como algo que se instala uma vez e pronto. Ela exige que o sistema tenha um plano de inspeção e manutenção contínua.
Isso inclui:
- Verificações periódicas do estado dos componentes;
- Avaliação após qualquer evento de queda;
- Registro das inspeções realizadas;
- Substituição de partes comprometidas.
Na prática, a NBR 16.325 reforça que segurança em altura é um processo contínuo – não um evento pontual de instalação.
Leia também: Como montar linha de vida em 7 passos profissionais

A relação da NBR 16.325 com outras normas
A NBR 16.325 não atua isoladamente. Ela faz parte de um conjunto normativo que, junto, estrutura toda a segurança do trabalho em altura no Brasil.
Veja como ela se integra às principais normas do setor:
| Norma | Como se relaciona com a NBR 16.325 |
| NR-35 (Trabalho em Altura) | Define a obrigatoriedade de medidas de proteção contra quedas; a NBR 16.325 detalha tecnicamente os sistemas de ancoragem utilizados |
| NR-6 (EPI) | Regula os EPIs conectados ao sistema (cinturões, talabartes, trava-quedas); a NBR 16.325 regula a estrutura que sustenta esses equipamentos |
| ABNT NBR 16325-1 | Estabelece requisitos e ensaios dos dispositivos de ancoragem; complementa a aplicação prática prevista na norma principal |
| ABNT NBR 16325-2 | Direciona projeto, instalação e manutenção dos sistemas; atua diretamente junto à NBR 16.325 no ciclo completo do sistema |
Em outras palavras: enquanto as NRs tratam das obrigações legais e dos EPIs, a NBR 16.325 garante que a infraestrutura de ancoragem seja tecnicamente confiável.
Veja também: O que impõe a NR-18 na construção civil?
Responsabilidade técnica e consequências legais
Seguir a NBR 16.325 não é apenas uma questão de boas práticas – é uma questão de responsabilidade técnica e jurídica.
Quando um sistema de ancoragem é instalado sem projeto, sem dimensionamento ou sem documentação técnica, a empresa assume riscos que vão além do operacional. Em caso de acidente, a ausência de conformidade normativa pode acarretar:
- Responsabilização civil por danos;
- Penalidades administrativas;
- Questionamentos em auditorias e fiscalizações;
- Comprometimento da validade do sistema de proteção contra quedas.
Por isso, a norma reforça a necessidade de participação de profissionais habilitados no projeto, na instalação e nas inspeções periódicas. Não se trata de burocracia, mas de garantir que cada detalhe do sistema realmente funcione quando mais importa: no momento de uma queda.

Como a Mostaza Ancoragem pode ajudar o seu projeto
No fim do dia, é evidente: projetar e instalar sistemas de ancoragem em conformidade com a NBR 16.325 exige conhecimento técnico, experiência prática e domínio das normas aplicáveis ao trabalho em altura. É justamente nesse ponto que contar com especialistas como a gente faz toda a diferença”
Na Mostaza Ancoragem, desenvolvemos projetos completos de linhas de vida e pontos de ancoragem com base em engenharia, cálculo estrutural e conformidade normativa rigorosa. Avaliamos cada cenário de forma personalizada, definimos os componentes adequados, realizamos a instalação técnica e fornecemos a documentação necessária para auditorias e fiscalizações.
Se o seu projeto envolve trabalho em altura, não basta ter equipamentos – é preciso ter um sistema de ancoragem confiável, dimensionado e legalmente adequado. Entre em contato com nossa equipe e garanta que cada etapa do seu projeto esteja alinhada às exigências da NBR 16.325 e às melhores práticas de segurança em altura.