Trabalhar em altura nunca é uma tarefa trivial. A morte por queda de altura continua entre as principais ocorrências na construção civil brasileira. Por isso, antes de pensar em produtividade, prazos ou custos, é essencial compreender o tamanho do problema e o papel estratégico dos Equipamentos de Proteção Coletiva (EPCs) e dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para impedir tragédias evitáveis.
Se você atua com obras, manutenção, intervenções estruturais ou qualquer atividade acima de 2 metros, este conteúdo é essencial para entender por que investir em segurança não é um luxo – é uma obrigação técnica, legal e humana. Venha comigo!
E não perca: Altura da linha de vida – como fazer o cálculo correto?
Um panorama das mortes por queda de altura no Brasil
As quedas de altura são historicamente uma das maiores causas de morte no setor da construção civil, e os dados mais recentes reforçam essa realidade preocupante.
Somente em 2023, o Brasil registrou 2.888 mortes por acidentes de trabalho, segundo dados do eSocial, divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Embora o sistema não discrimine todas as causas no detalhamento público, levantamentos setoriais mostram que, dentro desse total, as quedas de altura continuam entre as principais causas de óbitos na construção civil, ao lado de soterramentos e choques elétricos.
Em 2022, foram 612,9 mil acidentes de trabalho e 2.538 mortes – o ano com maior mortalidade do trabalho em uma década. Entre 2016 e 2022, o país acumulou 15,9 mil mortes por acidentes ocupacionais, sendo que a construção civil aparece de forma consistente como uma das áreas mais perigosas do país.

Apesar desses números já serem altos, especialistas apontam que existe uma subnotificação significativa, especialmente no trabalho informal, o que indica que o cenário real provavelmente é ainda mais grave.
Quedas de altura acontecem por falhas estruturais, ausência de proteção coletiva, improvisos comuns em obras, falta de treinamento e omissão no uso de EPIs. Todas essas situações seriam evitáveis com planejamento e equipamentos adequados – exatamente o que as normas brasileiras determinam, incluindo a NR-18 e a NR-35.
É justamente aqui que entram os EPCs e EPIs, pilares fundamentais da prevenção, projetados e exigidos por lei para impedir que quedas se tornem fatalidades.
Como os EPCs evitam morte por queda de altura
EPCs (Equipamentos de Proteção Coletiva) são estruturas e dispositivos instalados no ambiente para proteger todos os trabalhadores expostos ao risco. Na prática, eles reduzem a exposição ao perigo antes mesmo de depender da ação individual das pessoas.
Veja só:
| EPC | Para que serve | Como evita acidentes |
| Linha de vida horizontal ou vertical | Sistema de ancoragem contínuo para trajetos de trabalho | Impede quedas livres e mantém o trabalhador preso a um ponto seguro |
| Plataformas de proteção (bandejas) | Estruturas instaladas em fachadas | Reduzem o impacto de quedas de objetos ou pessoas; obrigatórias pela NR-18 |
| Guarda-corpos e rodapés | Barreiras fixas em bordas, lajes e escadas | Eliminam o risco de queda ao impedir a passagem para áreas desprotegidas |
| Andaimes montados conforme norma | Estruturas de trabalho elevadas | Garante pisos nivelados, acesso seguro e proteção perimetral |
| Redes de proteção | Malhas instaladas sob áreas de trabalho | Amortecem quedas e evitam impacto ao solo |
| Sinalização e isolamento de áreas | Delimitação do perímetro de risco | Evita circulação em zonas perigosas, reduzindo exposição desnecessária |
| Sistemas de ancoragem fixos e provisórios | Pontos de ligação para EPIs | Fornecem a base segura para retenção de queda |
Como os EPIs evitam morte por queda de altura

Os EPIs (Equipamentos de Proteção Individual), por outro lado, atuam sobre a pessoa, protegendo o trabalhador caso ocorra uma queda ou situação de risco. Tenha em mente que eles não substituem EPCs – mas complementam a proteção quando a exposição é inevitável. Os principais incluem:
| EPI | Função principal | Como evita acidentes fatais |
| Cinturão paraquedista | Preserva o corpo em caso de retenção de queda | Distribui o impacto e impede que o trabalhador caia livremente |
| Talabarte com absorvedor de energia | Conectar o cinturão ao ponto de ancoragem | Dissipa a força do impacto e reduz os danos à estrutura corporal |
| Trava-quedas retrátil | Permite movimentação com travamento automático | Limita a queda a poucos centímetros, reduzindo drasticamente o risco de morte |
| Capacete com jugular | Proteção craniana | Evita traumatismos em impactos laterais ou durante a queda |
| Cinto abdominal e talabartes de posicionamento | Estabiliza o trabalhador em áreas elevadas | Garante que o profissional mantenha-se seguro enquanto trabalha com as mãos livres |
| Luvas, calçados e vestimentas adequadas | Estabilidade e aderência | Reduzem escorregões e perdas de equilíbrio |
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Como pôde ver, evitar mortes por queda de altura não é responsabilidade apenas de quem está lá em cima; é um compromisso que começa no projeto, na análise de risco e na instalação dos sistemas de ancoragem e linhas de vida.

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