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Queda de escada no Reino Unido expõe falhas de equipamento

Queda de escada expõe falhas além do equipamento em altura

Uma escada pode parecer um dos equipamentos mais simples de uma operação. Justamente por isso, é fácil esquecer que ela também pode representar um risco importante quando utilizada em atividades realizadas em altura.

Um acidente recente no Reino Unido mostrou isso de maneira bastante concreta.

Em agosto de 2026, o Wirral Council foi multado depois que um trabalhador sofreu uma queda ao tentar acessar um espaço elevado. A escada que utilizava cedeu quando ele se aproximava do topo. O funcionário sofreu fratura na clavícula e quebrou costelas.

O problema, porém, não estava apenas na escada.

A investigação encontrou uma série de falhas na forma como o trabalho em altura era administrado – e é justamente aí que o caso se torna relevante para empresas que trabalham com manutenção, acesso a estruturas elevadas e sistemas de proteção contra quedas.

O acidente que revelou uma cadeia de falhas

O trabalhador estava tentando acessar um espaço no sótão de uma instalação administrada pelo conselho municipal quando a escada cedeu.

Depois do acidente, o Health and Safety Executive (HSE), órgão britânico responsável pela fiscalização de saúde e segurança no trabalho, investigou as condições da atividade.

A conclusão foi que o problema não se limitava à falha mecânica do equipamento.

A investigação identificou que havia escadas armazenadas em condições inadequadas e que, mesmo depois de algumas terem sido consideradas inseguras, elas continuavam disponíveis para os funcionários. Além disso, os trabalhadores não haviam recebido treinamento adequado para avaliar se uma escada estava em condições seguras de utilização.

O resultado foi uma condenação por falhas no controle dos riscos relacionados ao trabalho em altura. O Wirral Council recebeu uma multa de £6 mil e foi obrigado a pagar mais £4 mil em custos judiciais.

O caso deixa uma pergunta importante: o acidente realmente começou quando a escada quebrou?

Provavelmente não.

A falha do equipamento foi apenas o momento em que uma sequência de problemas de segurança se transformou em acidente.

Queda de escada expõe falhas além do equipamento em altura

O equipamento é apenas uma parte da proteção

É comum pensar na segurança em altura a partir de equipamentos isolados.

  • Tem escada?
  • Tem cinto?
  • Tem linha de vida?
  • Tem ponto de ancoragem?

Mas uma estratégia de proteção contra quedas não funciona simplesmente como uma lista de itens.

Antes de escolher um equipamento, é preciso entender a atividade que será realizada.

Como o trabalhador chegará ao local? Com que frequência esse acesso será utilizado? Em que condições está a estrutura? Existe possibilidade de queda? O trabalhador precisará se movimentar durante a atividade? Qual sistema de proteção é adequado para aquela situação?

Essas perguntas ajudam a mostrar por que ter um equipamento disponível não significa, necessariamente, ter uma solução de segurança adequada.

É uma lógica que também ganhou força na regulamentação brasileira.

A atualização da NR-35 publicada pelo Ministério do Trabalho e Emprego em julho de 2026 determina que a utilização de escadas fixas verticais como meio de acesso seja precedida de análise de risco. A avaliação deve considerar, entre outros fatores, a finalidade da escada, sua frequência de utilização, suas características construtivas e as condições de uso.

Uma escada pode estar disponível – mas isso não significa que esteja segura

O caso britânico chama atenção justamente por esse detalhe.

As escadas consideradas inadequadas não estavam necessariamente escondidas ou fora de circulação. Elas permaneciam acessíveis aos trabalhadores.

Isso cria uma diferença fundamental entre possuir um equipamento e gerenciar sua utilização.

Uma escada precisa estar em condições adequadas, ser compatível com a atividade e passar por controles que permitam identificar problemas antes que alguém dependa dela para realizar um trabalho.

A própria regulamentação brasileira estabelece requisitos para as escadas de uso individual, incluindo resistência às cargas aplicadas e a realização de inspeções inicial e periódica.

No caso das escadas fixas verticais, a atualização mais recente da NR-35 também determina que suas condições de segurança sejam verificadas periodicamente, levando em consideração aspectos como condição estrutural, frequência e criticidade de utilização e características construtivas.

Ou seja: a segurança de uma estrutura não termina quando ela é instalada.

Ela precisa continuar sendo verificada enquanto estiver em operação.

O que muda quando a empresa olha para o risco antes do acidente?

É aqui que o caso deixa de ser apenas uma notícia sobre um acidente no Reino Unido e passa a trazer uma lição para outras operações.

A pergunta não deveria ser apenas:

“A escada está funcionando?”

Mas também:

“Essa é a melhor forma de realizar essa atividade?”

E, a partir daí:

  • O acesso é adequado para a tarefa?
  • Qual é a frequência de utilização?
  • Quais riscos existem durante a subida e a descida?
  • A estrutura suporta as cargas previstas?
  • Há possibilidade de queda?
  • É necessário utilizar um sistema de proteção individual contra quedas?
  • Como esse sistema será instalado, utilizado e inspecionado?

Essa mudança de perspectiva é importante porque permite agir antes de o trabalhador estar exposto ao risco.

Foi justamente essa lógica que ganhou destaque na recente atualização da NR-35.

A nova NR-35 coloca a análise de risco no centro da decisão

Em julho de 2026, o Ministério do Trabalho e Emprego publicou a Portaria MTE nº 1.259, alterando o Anexo III da NR-35, que trata das escadas de uso individual.

Entre as mudanças, a utilização de escadas como meio de acesso ou posto de trabalho em altura deve ser precedida de análise de risco.

No caso das escadas fixas verticais utilizadas exclusivamente como meio de acesso, a análise deve considerar fatores como finalidade, frequência de utilização e características construtivas. Quando houver necessidade de um Sistema de Proteção Individual contra Quedas (SPIQ), sua seleção, inspeção, forma de utilização e limitações de uso devem ser estabelecidas por profissional qualificado ou legalmente habilitado em segurança do trabalho.

A norma também estabelece uma hierarquia para a escolha dos meios de acesso, priorizando alternativas como acesso direto, rampas e escadas de uso coletivo antes da utilização de uma escada fixa vertical individual, quando tecnicamente possível.

Na prática, a mensagem é clara: a escada não deve ser escolhida antes que o risco seja compreendido.

E onde entram as linhas de vida e os sistemas de ancoragem?

Quando a análise identifica a necessidade de proteção contra quedas, surge outra questão: como proteger o trabalhador durante o acesso e a realização da atividade?

É nesse momento que sistemas de ancoragem e linhas de vida passam a fazer parte da estratégia.

Mas, novamente, não basta simplesmente instalar uma linha de vida.

O sistema precisa ser pensado de acordo com a estrutura e com a atividade que será realizada.

Isso significa considerar o percurso do trabalhador, os pontos de acesso, a frequência de utilização, as características estruturais e os equipamentos que serão empregados.

Em outras palavras, a proteção precisa acompanhar a realidade do trabalho.

Um sistema instalado sem considerar essas condições pode até existir fisicamente, mas não necessariamente oferecer a solução adequada para a atividade.

Segurança em altura começa antes do primeiro degrau

O acidente envolvendo o Wirral Council mostra como uma queda pode ser o resultado final de uma sequência de falhas.

Uma escada inadequada permaneceu disponível. A inspeção não foi suficiente. Os trabalhadores não receberam treinamento adequado para avaliar sua segurança…

E mais: o controle do trabalho em altura não foi capaz de impedir que o risco chegasse até o trabalhador.

No Brasil, a atualização da NR-35 reforça uma lógica semelhante: identificar o risco, avaliar a situação e definir a proteção necessária antes da execução da atividade. O próprio Ministério do Trabalho destacou, em setembro de 2026, que as novas regras estabelecem critérios específicos para as escadas fixas verticais e exigem análise de risco para sua utilização.

Por isso, a segurança em altura não deveria começar quando o trabalhador coloca o pé no primeiro degrau.

Ela começa muito antes – no planejamento, na avaliação da estrutura e na definição dos sistemas que serão utilizados.

Sistemas de ancoragem precisam fazer parte dessa estratégia

Quando o trabalho em altura faz parte da rotina de uma edificação ou operação industrial, a proteção precisa ser planejada para aquela realidade.

É para isso que existimos. A Mostaza Ancoragem projeta, instala, testa e realiza inspeções em sistemas de ancoragem e linhas de vida, desenvolvendo soluções de acordo com as características de cada projeto.

Porque, quando o assunto é trabalho em altura, o melhor momento para descobrir que um sistema não era adequado não é depois de uma queda.

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About Cícero Moraes

Sou engenheiro de segurança do trabalho com mais de 12 anos de experiência em gestão de risco, treinamento e desenvolvimento de pessoas. Minha trajetória é marcada pela dedicação em criar ambientes de trabalho seguros e eficientes. Ao longo dos anos, desenvolvi e implementei estratégias robustas para identificar e mitigar riscos, além de liderar treinamentos que promovem uma cultura de prevenção e conscientização sólida de segurança em altura. Comprometido em transformar a segurança no ambiente de trabalho e com as melhores práticas durante a execução das atividades, estou sempre buscando soluções inovadoras e eficazes para garantir a integridade e o bem-estar da equipe, por meio de boas práticas com o uso e a conservação dos EPIs.

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