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IA começa a otimizar onde os pontos de ancoragem devem ficar

IA começa a otimizar onde os pontos de ancoragem devem ficar

Quando pensamos em um sistema de proteção contra quedas, uma das primeiras perguntas costuma ser bastante objetiva: onde instalar os pontos de ancoragem?

A resposta, porém, pode ser muito mais complexa do que parece.

Um ponto precisa estar em uma posição que permita ao trabalhador executar sua atividade com segurança, alcançar a área de trabalho e, ao mesmo tempo, reduzir riscos associados à própria movimentação durante uma eventual queda.

Em uma obra simples, talvez seja possível avaliar essa configuração manualmente.

Mas o que acontece quando a estrutura é grande, o trabalhador precisa se movimentar por diferentes regiões e as condições de trabalho mudam ao longo da execução?

É justamente esse problema que uma pesquisa publicada em março de 2026 na revista Developments in the Built Environment procurou resolver.

Pesquisadores desenvolveram um sistema que combina visão computacional, modelagem tridimensional, inteligência artificial e algoritmos de otimização para encontrar configurações mais eficientes para sistemas pessoais de proteção contra quedas.

E o objetivo não era simplesmente encontrar “um lugar seguro” para instalar um ponto de ancoragem.

O modelo procurou equilibrar diferentes necessidades ao mesmo tempo: segurança, cobertura da área de trabalho, produtividade e risco de queda pendular.

A descoberta aponta para uma possibilidade interessante para o futuro da engenharia de segurança: talvez os sistemas de ancoragem possam deixar de ser planejados apenas como uma configuração fixa e passar a ser projetados de maneira cada vez mais inteligente, considerando a movimentação real do trabalhador e as características do ambiente.

O problema começa antes de o trabalhador chegar ao ponto mais alto

Trabalhar em altura envolve um desafio que vai muito além de utilizar um cinturão ou conectar um talabarte.

É preciso pensar em todo o sistema:

  • Onde o trabalhador estará?
  • Até onde ele precisa alcançar?
  • Qual será sua trajetória?
  • Existe risco de queda?
  • Se uma queda acontecer, qual será a trajetória do trabalhador?
  • O ponto de ancoragem está em uma posição adequada?
  • Existe possibilidade de queda pendular?
  • Quanto da área de trabalho pode ser efetivamente coberta pelo sistema?

Essas perguntas ajudam a explicar por que o planejamento dos sistemas de proteção contra quedas é tão importante.

E existe uma característica que torna esse planejamento ainda mais difícil: o trabalhador não permanece parado.

Durante uma atividade, ele pode mudar de posição, deslocar-se lateralmente, alcançar componentes, curvar-se ou assumir diferentes posturas.

Um sistema projetado considerando apenas uma posição fixa pode, portanto, não representar perfeitamente a situação encontrada durante a execução do trabalho.

Foi justamente essa limitação que chamou a atenção dos pesquisadores.

E se a inteligência artificial pudesse ajudar a escolher os pontos de ancoragem?

IA começa a otimizar onde os pontos de ancoragem devem ficar

O estudo foi desenvolvido por Haifeng Jin, Zhen Xu, Ziheng Xu, Nan Li e Paul M. Goodrum e publicado no volume 25 da Developments in the Built Environment, em março de 2026.

A ideia deles é relativamente fácil de entender. Os pesquisadores queriam construir um método capaz de analisar:

o ambiente + os riscos + a posição do trabalhador + a configuração do sistema de proteção

e, a partir dessas informações, procurar configurações de ancoragem mais adequadas.

Em vez de depender exclusivamente de um layout fixo, o modelo tenta encontrar uma solução que responda às características específicas da atividade.

O que a pesquisa colocou dentro da “conta”?

Para fazer isso, os pesquisadores combinaram diferentes tipos de informação.

A primeira delas foi a geometria tridimensional do ambiente.

Isso permite representar espacialmente a área na qual o trabalho será realizado.

Depois, foram modeladas as chamadas zonas de risco.

Em termos simples, o sistema procura identificar regiões nas quais a possibilidade e as consequências de uma queda precisam ser consideradas.

Mas faltava uma informação importante:

onde exatamente está o trabalhador?

É aí que entra a visão computacional.

O sistema utiliza informações sobre a postura do trabalhador para construir uma representação mais dinâmica da situação de trabalho. A postura observada pode então alimentar novamente o processo de planejamento.

Isso cria uma diferença importante em relação a um planejamento puramente estático.

Em vez de considerar apenas:

“O trabalhador estará aqui.”

o modelo pode trabalhar com uma lógica mais próxima de:

“O trabalhador está se movimentando por esta região e assumindo estas posições; como o sistema de proteção deve responder a isso?”

Mas por que simplesmente colocar mais pontos de ancoragem?

Essa é uma pergunta importante.

À primeira vista, poderia parecer que a solução seria simples: aumentar a quantidade de pontos até que toda a área estivesse coberta.

O problema é que segurança em obras não envolve apenas segurança.

Também existem questões de:

  • custo;
  • produtividade;
  • acessibilidade;
  • movimentação;
  • instalação;
  • interferência com a atividade;
  • complexidade do sistema.

Por isso, os pesquisadores trataram o problema como uma otimização multiobjetivo.

Em outras palavras, o algoritmo não procurava maximizar uma única característica.

Ele precisava encontrar um equilíbrio entre diferentes objetivos. Entre eles estavam:

Segurança

A configuração deveria oferecer uma proteção adequada ao trabalhador.

Cobertura da área

O sistema deveria permitir que o trabalhador alcançasse as regiões necessárias para executar sua atividade.

Risco de queda pendular

A configuração deveria considerar também o chamado swing fall, situação na qual o trabalhador pode se deslocar lateralmente durante uma queda.

Produtividade

A solução não poderia simplesmente ignorar as necessidades práticas da atividade. Esse equilíbrio é justamente o que torna o problema interessante.

O que é uma queda pendular?

Imagine um trabalhador conectado a um ponto de ancoragem e trabalhando lateralmente em relação a ele.

Se ele perder o equilíbrio e cair, seu corpo pode não simplesmente descer verticalmente.

Dependendo da posição do ponto e da distância lateral, ele pode realizar um movimento semelhante ao de um pêndulo.

É a chamada queda pendular.

Isso significa que não basta perguntar:

“Existe um ponto de ancoragem?”

É preciso perguntar também:

“Onde está esse ponto em relação ao trabalhador e à área na qual ele precisa trabalhar?”

Essa diferença é fundamental.

Um sistema pode oferecer conexão ao trabalhador e, ainda assim, precisar ser cuidadosamente planejado para minimizar determinados riscos associados à movimentação e a uma eventual queda.

Foi por isso que o risco de queda pendular entrou diretamente na otimização proposta pelos pesquisadores.

E como a inteligência artificial encontra uma solução?

Aqui entra uma das partes mais interessantes da pesquisa.

Os pesquisadores desenvolveram um módulo de simulação baseado em algoritmos genéticos, chamado SR-MOGA.

Sem entrar em uma matemática complicada, podemos pensar nesse processo como uma busca automatizada por diferentes combinações possíveis.

O algoritmo testa configurações, compara seus resultados e procura soluções que ofereçam um bom equilíbrio entre os objetivos estabelecidos.

Em vez de simplesmente perguntar qual é o melhor ponto de ancoragem, o modelo procura diferentes configurações que podem representar bons compromissos entre segurança, cobertura, risco de queda pendular e produtividade.

Essas soluções são chamadas pelos pesquisadores de soluções Pareto-ótimas.

Na prática, isso significa que não existe necessariamente uma única resposta perfeita.

Pode haver diferentes configurações interessantes, dependendo da prioridade dada a cada aspecto do projeto.

Isso significa que a IA já pode projetar uma linha de vida sozinha?

Não – e essa é uma distinção importante. O estudo apresenta e demonstra um framework computacional de otimização.

Não significa que um engenheiro possa simplesmente inserir uma planta em um programa e deixar que a inteligência artificial determine sozinha todo o sistema de proteção que será instalado em uma obra.

A pesquisa também não substitui normas, análise estrutural, especificação de componentes, dimensionamento, instalação, inspeção ou responsabilidade técnica.

E talvez essa seja a principal mensagem que podemos tirar da pesquisa.

O futuro dos sistemas de proteção contra quedas não necessariamente será marcado pela substituição da engenharia por inteligência artificial.

Pode ser justamente o contrário.

A tecnologia pode ampliar a capacidade da engenharia.

Um algoritmo consegue analisar inúmeras possibilidades.

A visão computacional consegue extrair informações que seriam difíceis de acompanhar manualmente.

Modelos tridimensionais conseguem representar ambientes complexos.

Mas é a engenharia que precisa transformar tudo isso em um sistema adequado à estrutura e à atividade que será realizada.

Essa integração pode ser especialmente importante em obras complexas, grandes edificações e situações nas quais o trabalhador precisa se movimentar por áreas extensas.

E é justamente nesse cenário que o planejamento dos sistemas de ancoragem deixa de ser um detalhe e passa a fazer parte da própria estratégia de segurança.

Mostaza Ancoragem: segurança começa antes da instalação

A pesquisa mostra que pensar em proteção contra quedas significa muito mais do que simplesmente escolher um equipamento.

É necessário entender onde o trabalhador estará, como ele irá se movimentar, quais riscos existem e como o sistema deverá responder a eles.

É esse raciocínio que torna o projeto tão importante.

Na Mostaza Ancoragem, trabalhamos com soluções de segurança em altura desenvolvidas de acordo com as características de cada projeto, desde a análise e elaboração do sistema até sua fabricação, instalação, testes e documentação.

Isso inclui soluções como pontos de ancoragem e linhas de vida, projetadas para diferentes necessidades de trabalho em altura.

A tecnologia estudada pelos pesquisadores ainda está em uma etapa de desenvolvimento e demonstração. Mas ela aponta para uma tendência que já começa a ficar evidente: os sistemas de proteção contra quedas estão se tornando cada vez mais orientados por dados, modelagem e tecnologia.

E, quanto mais sofisticadas forem essas ferramentas, mais importante será contar com profissionais capazes de transformar as possibilidades tecnológicas em soluções de engenharia adequadas à realidade de cada obra.

Precisa projetar uma solução de ancoragem ou linha de vida para o seu empreendimento? Converse com a equipe da Mostaza Ancoragem e descubra como podemos ajudar a transformar as necessidades do seu projeto em uma solução de segurança em altura!

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About Cícero Moraes

Sou engenheiro de segurança do trabalho com mais de 12 anos de experiência em gestão de risco, treinamento e desenvolvimento de pessoas. Minha trajetória é marcada pela dedicação em criar ambientes de trabalho seguros e eficientes. Ao longo dos anos, desenvolvi e implementei estratégias robustas para identificar e mitigar riscos, além de liderar treinamentos que promovem uma cultura de prevenção e conscientização sólida de segurança em altura. Comprometido em transformar a segurança no ambiente de trabalho e com as melhores práticas durante a execução das atividades, estou sempre buscando soluções inovadoras e eficazes para garantir a integridade e o bem-estar da equipe, por meio de boas práticas com o uso e a conservação dos EPIs.

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